Não sei se também aconteceu com vocês mas, antes de engravidar, a gente tem a sensação que manda no nosso corpo e pode escolher até o período em que gostaria de conceber. Mas, daí, chega a idade planejada para ter filhos e… nada. Mais um mês e… nada de novo. E quando, finalmente, você acha que conseguiu, vem uma das piores notícias que um casal e, principalmente, a mulher pode ter: o aborto espontâneo.

Comigo foi assim e acho importante desabafar porque, com certeza, outras mulheres estão vivendo essa mesma angústia chamada dificuldade para engravidar. Hoje tenho um casal de filhos lindos mas, antes deles, tive duas gestações seguidas que, infelizmente, não evoluíram e o sentimento é horrível.

Você sabia que cerca de 10 a 15% dos casais terão alguma dificuldade para engravidar? Segundo a Dra. Karyna Bustelo Saab, especialista em Reprodução Assistida, o tempo considerado normal de tentativas é de até um ano: “Casais jovens devem procurar ajuda médica para engravidar após um ano tendo relações sexuais pelo menos duas vezes por semana sem o uso de métodos anticoncepcionais. Mas, quando a mulher tem mais de 35 anos,
o casal deve procurar ajuda após 6 meses de tentativas”, explica.

A consulta deve ser antecipada em casos de sinais de infertilidade, como relacionamentos anteriores sem gestações, problemas conhecidos em ovários ou testículos e menstruação desregulada. “Assim, será feita a investigação avaliando espermograma, trompas uterinas, ovários e útero”,
complementa Dra. Karyna.

Ecografia x Ansiedade

Nem todo atraso menstrual é gestação mas, no mundo das tentantes, um dia já é suficiente para gerar uma tremenda ansiedade. E quem acompanha de
perto esse sentimento é a Dra. Ana Paula Passos, médica especialista em Ultrassonografia e Medicina Fetal e sócia da Clínica Wave. “Uma grande porcentagem desses atrasos pode ser uma gestação muuuito inicial, que acabou não tendo uma evolução adequada e, por isso, não se confirmou. O que não impede que, na sequência, ocorra uma gestação normal, sem que a mulher sequer saiba que teve uma perda no ciclo anterior, uma vez que não houve sequela
alguma”, explica.

“Caso fôssemos contabilizar a porcentagem de gestações nessa etapa (até mesmo anterior ao atraso menstrual), teríamos uma taxa de perdas gestacionais próxima a 50% das concepções. Parece-nos um número assustador, mas nada mais é do que o nosso rigoroso controle de divisões celulares, que não permite que embriões que seriam combinações genéticas aberrantes evoluam de forma natural”, afirma Dra. Ana Paula. Perdas gestacionais de primeiro trimestre são consideradas normais nas taxas de 20 a 30%, ou seja, a cada 10 mulheres, 2 a 3 passarão por uma perda gestacional de primeiro trimestre, sem isso ser considerado patológico.

Entretanto, há os abortamentos de repetição, que acabam abalando emocionalmente e podem interferir no relacionamento do casal. Muitas são as causas que explicam essas interrupções espontâneas da gravidez. Às vezes, não é possível determiná-las mas, felizmente, para grande parte deles, existe tratamento. “Até pouco tempo atrás só se investigava abortamentos de repetição nas pacientes após o terceiro episódio. Hoje, com o avanço da Medicina, não se espera que ocorram três abortos para começar a investigação. Por isso, preconiza-se que, havendo disponibilidade de exames, a pesquisa comece depois do segundo aborto consecutivo”, finaliza Dra. Ana Paula.

Picadinhas de Amor

A advogada e professora universitária Ana Cristina Zadra Valadares Warszawiak, que hoje é mãe do Benjamin (1 ano) e do Gabriel (3 anos), teve uma
outra dificuldade na gestação. Ela descobriu a trombofilia através de uma investigação familiar. E precisou tomar injeções diárias de anticoagulantes durante todos os dias da gestação. “Quando o Gabriel nasceu, foi um alívio absurdo. É um sacrifício e, quando resolvi engravidar de novo, já sabia que iria passar por tudo novamente. Além da dor da injeção, há o impacto financeiro e a preocupação se o bebê está se desenvolvendo normalmente, mas eu
faria tudo de novo”, comenta.

Os tratamentos para quem enfrenta dificuldade para engravidar

Fertilização In Vitro

A FIV consiste em retirar o óvulo da mulher através de uma punção transvaginal e fertilizá-lo em uma estufa com espermatozoides do marido. Os embriões assim obtidos são transferidos para o útero da mãe. Está indicado quando a mulher tem anormalidade nas trompas, endometriose, ovários que não ovulam bem, quando o homem apresenta espermatozoides em quantidade ou qualidade deficiente ou quando não se encontra um diagnóstico conclusivo.

Inseminação Artificial

Consiste em tratar os espermatozoides para ficarem mais ativos, selecionados e concentrados e colocá-los no fundo uterino e nas tubas no dia fértil da mulher.

Congelamento de Óvulos

Esta opção tem sua principal indicação para mulheres que serão submetidas a tratamento contra o câncer. Após este procedimento, os óvulos são
armazenados até o desejo de gestação, quando terão que ser fertilizados por FIV e transferidos ao útero da paciente. Existe também a possibilidade de congelamento de óvulos para postergar a maternidade.

Coito Programado

Indicado para casais que podem engravidar naturalmente. Realiza-se a indução da ovulação com medicamentos, por via oral ou injetáveis, e com exames
ultrassonográficos seriados define-se dia do pico de fertilidade da mulher, quando programa- se a relação sexual, aumentando assim as chances de gravidez. A estimulação da ovulação, melhora a qualidade dos óvulos, não raramente produzindo 2 ou 3 óvulos, aumentando as possibilidades de gestação gemelar.

Fonte – Topview